Saiba como identificar, tratar e vencer transtornos alimentares

fevereiro 17, 2015
admin
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Comer é um ato de prazer para algumas pessoas. Quando nossa ingestão de alimentos passa dos limites, até os mais saudáveis fazem mal. Maus hábitos alimentares são considerados doentios quando interferem na saúde física e mental dos indivíduos, prejudicando de alguma forma até mesmo as relações pessoais e profissionais.

Os transtornos alimentares acontecem quando, preocupados com a comida ou com o peso, algumas pessoas deixam de comer, comem demais ou simplismente descartam o alimento ingerido. Os principais tipos de distúrbios são a anorexia nervosa, bulimia nervosa e a compulsão alimentar, desencadeada por uma série de fatores associados à outras doenças como a depressão ou a ansiedade. Para eles, existem vários tratamentos que envolvem educação nutricional, aconselhamento familiar, medicamentos e, em último caso, a hospitalização.

O consumo exagerado de algum alimento é definido como compulsão, problema que atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos – podendo alcançar metade dos indivíduos mórbidos, segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria. “A maioria das pessoas que tem vicíos ou compulsões e não tem consciência disso. Acordar de madrugada para comer, por exemplo, é um comportamento anormal, comer todo dia um alimento que faz mal à sua saúde, sem controle, é também sinal de compulsão”, diz a nutricionista Nayara Barradas.

Um das causas da compulsão pode ser a ansiedade, o que pode gerar crises alimentares no decorrer da vida. “A alimentação regular equilibra o nosso organismo e você não teria nenhum tipo de transtorno, portanto, ele é desencadeado quando isso não está adequado. Também pode estar veiculado à  problemas familiares, financeiros, abusos. A comida torna-se válvula de escape para tudo”, explica Nayara.

A assistente contábil Alessandra Cavalcante, de São José do Rio Preto (SP), sofria de ansiedade e, para amenizar as crises, descontava no chocolate. “Quando eu ficava ansiosa, a vontade de comer chocolate aumentava de forma surreal. Devorava duas ou mais barras de chocolate rapidamente. Isso me trouxe um vício nesse alimento e desencadeou até gastrite”, conta Alessandra.

Para livrar-se do vício, ela procurou assistência médica. “Precisei de uma nutróloga para me ajudar a combater o consumo exagerado de chocolate. Ela me orientou, me passou um tratamento e tomei até medicação. Hoje em dia, quando estou ansiosa, busco ocupar meu tempo com atividades físicas e me controlo para não descontar na comida”, conta a assistente.

Para a nutricionista, esse comportamento pode gerar graves problemas de saúde. “O consumo abusivo de determinados alimentos pode levar não só ao excesso de peso, como também a elevação de pressão arterial, taxas elevadas de glicose sanguínea, diabetes tipo II, doenças do coração e até agravar alguns tipos de câncer”, afirma.

Bulimia nervosa
Causada por uma crise de baixa autoestima, a bulimia aparece quando o indivíduo não aceita a forma física que tem e enxerga-se, muitas vezes, maior do que realmente é. Os períodos de crise são oscilados pela ingestão exagerada de alimentos e a privação deles. Nesses intervalos, a pessoa se sente culpada por comer e força o vômito. “Essa pessoa come normalmente, mas como método punitivo, vomita ou faz o uso de laxantes para emagrecer. Normalmente ela possui descontrole emocional e almeja um corpo mais magro”, explica a nutricionista.

Para a enfermeira C. V. S, de 32 anos, o vômito era a forma de aliviar. “Eu me sentia mal depois que comia. Eu exagerava ao comer, para aliviar qualquer coisa que me tirasse da minha zona de conforto: quando eu estava nervosa, ansiosa, estressada. Aí vinha o sentimento de culpa e eu forçava o vômito”, explica.

Na época, com 54 quilos, a enfermeira perdeu 12 com o distúrbio. “Emagreci rápido demais, minha família me questionava e eu esquivava, nunca comentei nada com eles, mas meus cabelos, unhas, minha aparência doente me denunciava. Durante uma festa, acabei comendo demais e, ao provocar o vômito, vi sangue. Desmaiei e só acordei no hospital’, conta.

De lá, a enfermeira foi levada para tratamento especializado para reverter seu quadro. “Busquei grupos de apoio, psiquiatra, pscicólogos e uma nutricionista, que faço acompanhamento até hoje. Agora me alimento corretamente, com um plano nutricional e pratico exercícios físicos também”, diz.

Quem sofre de bulimia deve procurar orientação médica com urgência. O vômito forçado e frequente pode levar à desnutrição, anemia e outras doenças. “O excesso de perda de sais minerais prejudica o corpo. O ideal é fazer a reposição desses sais através de soro de hidratação via oral ou venosa e, em seguida, iniciar uma terapia nutricional de acordo com o caso”, afirma a nutricionista.

Anorexia nervosa
Considerado o mais grave dos problemas alimentares, a anorexia se não tratada, pode levar à morte. Geralmente, é causado por problemas de autoestima e autoimagem, fazendo a pessoa doente se enxergar acima do peso quando na verdade não está. Essa pessoa não ingere os alimentos necessários e muitas vezes abusa da pratica de exercícios para perder ainda mais peso. “A maior parte dos atingidos são pessoas que sofrem pressão por não poder engordar, então se frustram e excluem a comida do seu dia. Também temos a anorexia desencadeada por outras doenças, como a depressão, a pessoa simplismente não aceita comer e não tem fome”, explica a nutricionista.

A causa exata da anorexia ainda é desconhecida, mas acredita-se que fatores biológicos e psicológicos estejam envolvidos nas possíveis causas. Entre os sinais mais comuns, estão a fraqueza, desmaios, resistência a falar sobre o assunto, falta de vontade de comer e até mesmo alterações no ciclo menstrual para as mulheres. “É importante observar o uso de roupas largas para esconder a modificação de peso, excesso de atividade física e comportamento punitivo como uso de laxantes e vômito. Muitas vezes o próprio paciente relata passar por problemas e associa isso ao comportamento alimentar”, explica a nutricionista.

A ajuda médica é fundamental neste caso e somente um profissional poderá avaliar e prescrever a medicação correta para cada diagnóstico. “Quem sofre de anorexia, dependendo do grau de desnutrição, a internação e a dieta por sonda pode ser necessária, para a recuperação do estado nutricional ou é realizada a adequação gradual da ingestão alimentar até que o paciente atinja suas necessidades”, afirma a nutricionista.

Fonte : G1 Globo

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