Alergia, intolerância e intoxicação alimentar: qual é a diferença?

março 24, 2015
admin
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Saúde

Todos os anos, o Brasil registra mais de 600 mil surtos de intoxicação alimentar. Os números também alertam para a parcela da população que sofre com algum tipo de alergia originada do consumo de certos alimentos, atingindo de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade e cerca de 3% dos adultos. Para diferenciar a alergia e intolerância alimentar de uma intoxicação é preciso um diagnóstico médico mais detalhado. Em entrevista, a nutricionista do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, Andrea Dunshee de Abranches, explica os sintomas e os cuidados que devem ser tomados quando algum desses problemas alimentares se manifesta.

Qual é a diferença entre a alergia e a intolerância alimentar?
Andrea Dunshee de Abranches – Na alergia alimentar, o alimento é identificado pelo corpo com um invasor. Portanto, em casos de alergia a resposta imunológica do corpo é imediata, pois tenta combater o agente agressor respondendo de forma exagerada. Mesmo em contato com pequenas quantidades do alimento, podem surgir sintomas como manchas na pele, tosse, irritação nasal ou ocular, asma ou inchaço da laringe. Já a intolerância alimentar está relacionada à capacidade de digerir o alimento. Devido à ausência ou ao baixo nível de enzimas digestivas, a substância não digerida se acumula no organismo, podendo provocar dor abdominal, gases, diarreia, prisão de ventre, enjoo ou vômito.

E no caso da intoxicação alimentar, como diferenciá-la da intolerância?
Andrea – As reações do corpo à intoxicação e à intolerância alimentar são bastante semelhantes. Para diferenciá-las é preciso observar a situação e, principalmente, a frequência com que ocorre a reação. Devemos observar qual alimento foi ingerido, qual a procedência desse alimento, como foi preparado, se foi armazenado corretamente e se a reação já havia acontecido antes. Se apresentar um sintoma isolado, provavelmente trata-se de uma intoxicação alimentar. Se os sintomas são frequentes e estão relacionados a algum alimento específico, deve-se investigar se é o caso de intolerância alimentar. Para garantir o diagnóstico de intolerância, intoxicação ou alegria alimentar é necessário procurar um médico.

Como evitar a intoxicação alimentar?
Andrea – A intoxicação alimentar ocorre pelo crescimento de microrganismos patogênicos no alimento consumido. Portanto, o maior desafio é impedir o desenvolvimento desses patogênicos e a contaminação de um alimento para outro. Todo o processo de produção de alimentos deve seguir as boas práticas de higiene e conservação. Para minimizar as chances de contaminação por microrganismos que são nocivos à saúde do homem, os alimentos devem passar por processos térmicos (cozimento, refrigeração ou congelamento), observando-se também a limpeza do ambiente, os procedimentos de higiene para manipulação adequada dos alimentos e a qualidade da água utilizada.

O que o consumidor deve observar ao comprar um alimento?
Andrea – A aparência do alimento é fundamental, mas em muitas ocasiões os microrganismos passam despercebidos aos nossos olhos. No caso de alimentos prontos deve-se observar se o estabelecimento possui medidas e práticas de higiene. Já nos supermercados, feiras e outros estabelecimentos que comercializam alimentos, devemos evitar comprar latas amassadas ou enferrujadas, latas com rótulo deteriorado, pacotes ou caixas que não estão totalmente fechados, produtos com alteração de cor, cheiro ou textura. A validade também deve ser sempre conferida.

Maionese, peixes e outros alimentos extremamente perecíveis demandam uma atenção maior com conservação e preparo. Como armazenar, limpar e preparar um alimento sem riscos de intoxicação?
Andrea – Além da seleção cuidadosa dos alimentos, hábitos higiênicos pessoais e gerais devem ser estimulados. Esses cuidados dizem respeito às pessoas que manipulam os alimentos, a água que é utilizada em sua lavagem e preparação, os utensílios e recipientes da cozinha. Um dos erros mais comuns é misturar alimentos frescos com os mais antigos. Este hábito pode contaminar os alimentos novos. Outros métodos de conservação importantes são: calor, vácuo, frio e congelamento. Após o preparo, os alimentos devem ter sua temperatura mantida, ou seja, produtos quentes devem permanecer quentes, ou em temperatura ambiente por até 2 horas. Enquanto que os produtos frios devem ser resfriados assim que possível. Os micróbios prejudiciais à saúde podem se multiplicar em temperaturas entre 5ºC a 60ºC, chamada zona de perigo. Eles preferem temperaturas de verão ou do nosso corpo, em torno de 37ºC.

Por que comer na rua aumenta tanto os riscos de intoxicação?
Andrea – Os alimentos vendidos na rua podem apresentar risco de intoxicação devido à falta de cuidado e higiene no preparo, na manipulação e armazenamento dos mesmos. Nem todos os estabelecimentos realizam os processos de seleção, preparo e conservação dos alimentos da forma correta, aumentando assim, o risco de intoxicação alimentar. Algumas reações inesperadas também podem acontecer caso um alimento que provoque alergia seja manipulado no mesmo utensilio de outros alimentos e vestígios do agente alergênico seja assim transmitido. O mesmo pode acontecer com quem tem intolerância a algum alimento, já que muitos estabelecimentos não sabem informar ou não informam com detalhes todos os ingredientes de seus pratos.

O tema desta edição do Prêmio Jovem Cientista é “Segurança Alimentar e Nutricional”. Qual a importância desta abordagem?
Andrea – Como o Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa que revela e impulsiona a pesquisa entre os jovens, ao abordar o tema Segurança Alimentar e Nutricional, está dando visibilidade para novas descobertas dentro da área de alimentação e nutrição adequada e com segurança. O envolvimento dos jovens também é importante na propagação do tema por ser uma geração ativa, que participa dos debates sociais.

Fonte : Midia News.

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